
​Para aqueles que gastam seu tempo em brechós, usam jeans com proteção no joelho, camiseta ampla e, claro, calças caramelo.
A vontade de criar algo dentro do streetwear, só que indo para um lado mais maduro, roupas que não fossem tão óbvias. Foi a ideia que iniciou a marca.
O estudo de estilo começou com o Ivy Style e o Prep Style.

Começando pelos livros/artigos que deram as primeiras fagulhas de criação da marca:

Descrito pelo The New York Times como “um tesouro da moda”, Take Ivy foi publicado originalmente no Japão em 1965, desencadeando uma explosão da moda “Ivy Style” de influência americana entre os estudantes no distrito comercial de Ginza, em Tóquio. Take Ivy é uma coleção de fotografias espontâneas tiradas nos campos das universidades de elite da Ivy League. A série se concentra nos homens e suas roupas, encapsulando perfeitamente a moda acadêmica única da época. Os sujeitos do Take Ivy estão vestidos de maneira impecável e distinta com as melhores roupas americanas da época.
Take Ivy agora é considerado um documento definitivo desse estilo em particular, as cópias são muito procuradas por devotos “tradicionais” em todo o mundo. Uma reimpressão de pequena tiragem saiu no Japão em 2006 e esgotou quase imediatamente. Take Ivy sobreviveu às décadas e é um objeto essencial para qualquer pessoa interessada na história ou no futuro da moda.



Olhe atentamente para qualquer peça de roupa tipicamente americana nos dias de hoje, e você pode se surpreender ao ver uma etiqueta japonesa dentro. De jeans de alta qualidade a botões oxford, os designers japoneses pegaram o clássico visual americano conhecido como ametora, ou tradicional americano, e o transformaram em um grande negócio para empresas como Uniqlo. Esse fenômeno faz parte de um longo diálogo entre a moda japonesa e a americana; na verdade, muitos dos itens básicos e tradições do guarda-roupa americano moderno estão vivos e bem hoje graças à administração dos consumidores japoneses e conhecedores da moda, que ritualizaram e preservaram esses estilos americanos durante os períodos em que estavam fora de moda em sua terra natal.
Em Ametora, o historiador cultural W. David Marx traça a assimilação japonesa da moda americana ao longo dos últimos cento e cinquenta anos, mostrando como os criadores de tendências e empreendedores japoneses imitaram, adaptaram, importaram e, finalmente, aperfeiçoaram o estilo americano, remodelando dramaticamente não apenas a cultura do Japão, mas também a nossa.


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Dos músicos de jazz, artistas visuais e poetas a arquitetos, filósofos e escritores, Black Ivy: A Revolt in Style traça um período da história americana em que os homens negros de todo o país adotaram as roupas de uma elite privilegiada. Ele mostra como uma geração de homens pegou o clássico e monotono Ivy Look e o tornou legal, ousado e imprevisível de maneiras que continuam a influenciar a moda masculina moderna de hoje.
Aqui você verá algumas figuras famosas, infames e não tão famosas da cultura negra, como Amiri Baraka, Charles White, Malcolm X, Martin Luther King Jr., James Baldwin, Miles Davis, John Coltrane e Sidney Poitier, e como eles reinventaram Ivy e Prep fashion. As verdadeiras estrelas do livro - a camisa de botão de tecido Oxford, o mocassim costurado à mão, a jaqueta de três botões de ombro macio e a gravata perene. O que Black Ivy explora é como essas roupas são reformuladas e redefinidas por um grupo estiloso de homens de fora do mainstream, desafiando o status quo, lutando por igualdade racial e direitos civis.









Uma Breve História do Estilo Prep
“A origem do prep é definitivamente um ambiente elitista de escolas preparatórias e universidades da Ivy League.” Jason Jules (autor do livro Black Ivy) aponta essas instituições como o ponto de partida do prep, mas observa que sua natureza elitista significa que o visual jamais teria chegado onde está hoje sem que alguém quebrasse essas barreiras.
O martelo contra esses muros veio da cena do jazz, que adotaram o estilo para mostrar que estavam no mesmo nível da alta sociedade. “Isso começou no fim dos anos 50 com músicos de jazz. Eles adotaram esse estilo como uma forma de declarar ao mundo que eram iguais à mais alta elite da sociedade americana. Uma coisa que o movimento negro fez foi dar ao estilo Ivy um novo contexto político.”
O que levou o visual além dos EUA, foi o livro Take Ivy, de Kensuke Ishizu.
Sam Trotman (a mente por trás da conta de arquivo cultural no Instragram Samutaro) explica: “Foi um momento muito interessante nos anos 60, quando japoneses começaram a viajar para os Estados Unidos e visitar universidades da Ivy League, documentando o que os estudantes vestiam.” Jules acrescenta: “Basicamente foi um registro de pessoas indo aos EUA e capturando estudantes reais da Ivy, que acabou se tornando um guia de como se vestir nesse estilo.”
O visual foi adotado pela juventude japonesa que se apropriou do estilo que desafiava o status quo do prep tradicional e se divertiam com ele — um forte precursor do que Tommy Hilfiger e Ralph Lauren fariam nos EUA nas décadas de 70 a 90.

Se vestir como um professor divorciado
A figurinista de Scenes From a Marriage, Miyako Bellizzi, compartilhou algumas fotos de bastidores do ator durante as provas de figurino para a série.
Os looks fizeram todo mundo querer incorporar uma vibe de “pai divorciado bonitão”. Pense em tricôs macios, calças de veludo cotelê marrons, New Balances e camisas de botão, tudo em tons terrosos e suaves, homenageando a série original de 1973 de Ingmar Bergman, na qual essa versão se baseia.
Basicamente, são roupas que um professor de verdade usaria na vida real.
Bellizzi já havia trabalhado em Uncut Gems, dos irmãos Safdie, que por um bom tempo fez todo mundo se vestir como corretores de diamantes.














A moda masculina de mid-century do filme
Marty Supreme
Uma das primeiras coisas que chamou a atenção das pessoas durante as filmagens não foi o drama da trama, nem o elenco estelar. Foi a alfaiataria impecável e o sportswear retrô absurdamente bons que marcam praticamente todas as cenas, do começo ao fim.
Paletós boxy de abotoamento duplo com ombros bem estruturados, calças de cintura alta com pregas ajustadas na cintura, camisas amplas com listras sutis e colarinhos finos e pontudos. Além da regata branca que Marty, como a maioria dos homens da época, usava todos os dias
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"Eu reuni uma grande quantidade de camisetas vintage no estilo Marlon Brando, que eram muito importantes para nós. É uma grande implicância minha quando vejo filmes ambientados nos anos 1950 com camisetas que não são fiéis à época. Eu odeio. Dá para notar a diferença porque o algodão era construído de outra forma. Existe uma opacidade no tecido. Hoje os tecidos são meio 50/50 poliéster; naquela época era quase sempre 100% algodão.”
- Miyako Bellizzi, figurinista do longa.
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Timothée Chalamet, foi visto correndo pelas ruas de Manhattan, em fotos dos bastidores de Marty Supreme - vestindo calças de alfaiataria amplas, ternos risca-de-giz de abotoamento duplo com ombros estruturados, polos de tricô e coletes de lã -, a moda masculina dos anos 50 retratada no filme.
Fóruns de menswear, com usuários se perguntando onde comprar peças parecidas, os figurinos também dialogaram com quem tem um apetite voraz por Armani vintage; afinal, o falecido estilista italiano recorria frequentemente a essa era como referência.
É o tipo de reação que o trabalho da figurinista Miyako Bellizzi costuma provocar (seus outros projetos: Good Time, Uncut Gems e Scenes from a Marriage).
“Eu entrei em contato com todos os colecionadores de moda dos anos 1950 que pude encontrar. Como servem de referência de design, muitos desses itens estão no Japão - e são caríssimos. O moletom do time USA que o Marty usa, por exemplo, veio de um colecionador. Designers colecionam essas peças, e são moletons vintage que podem custar uns 2 mil dólares. Também quis encontrar as regatas originais, aquelas que o Marty usa o tempo todo - achei com um colecionador, deadstock, ainda na caixa original."
"Comecei a comprar fotolivros de diferentes fotógrafos da Life e fotojornalistas, porque é muito importante ver pessoas reais"




Estilo é mais importante que roupas.

Descobrir peças vintage especiais e recriar sua essência e excelência para uma nova geração.
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É isso que nos move, todos os dias, em cada peça que criamos e recriamos.